segunda-feira, 21 de julho de 2014

 O QUE REALMENTE ACONTECEU COM A ORQUESTRA ELEAZAR DE CARVALHO.




A Orquestra Eleazar de Carvalho (ORCEC) surgiu no ano de 1996, na gestão do Governador do Ceará, Tasso Jereissati. Nascida como um projeto da Secretaria da Cultura e Desporto do Estado do Ceará, a ORCEC recebeu apoio por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura e logo depois recebeu verbas da ação da Associação Artística de Concertos do Ceará (AACC), com o apoio do Governo do Estado do Ceará, por meio da Secretaria da Cultura.

A orquestra era formada por 27 músicos, distribuídos em violinos, violas, violoncelos e contrabaixos. A maioria dos músicos que compunha o quadro de cordas da ORCEC eram ex-estudantes de projetos assistencialistas como a Orquestra de Concertos do Sesi, organizada pelo Maestro Vazken Fermanian, estudantes do Conservatório de Música Alberto Nepomuceno e outras instituições de música particulares e públicas. Logo no início do nascimento da ORCEC, um número grande de músicos que tinham migrado para os estados de Goiânia, São Paulo e Paraíba, acabaram voltando em busca desse novo mercado de trabalho, já que saíram do Ceará em busca de emprego na área. 

No entanto, os governos posteriores não cumpriram com a meta de pagamento dos salários dos músicos. De lá para cá os salários quase sempre atrasavam. Para quem tinha casa ou família para sustentar, ficava cada vez mais difícil viver de música. Os jornais O Povo e O Diário do Nordeste, já noticiaram inúmeras vezes sobre a questão do atraso dos salários. 

Em 2008 fiz um artigo sobre o problema da migração de músicos cearenses para outras cidades e acabei procurando pessoas especializadas no assunto na tentativa de encontrar um norte para essa questão. Para Liduino Pitombeira (Doutor em Música e Professor de Composição da UFRJ), dentre as causas da inviabilidade de aberturas de mais bacharelados e orquestras está à omissão das universidades que colocam toda a atenção financeira a quem produz ciência e tecnológica e de saúde, do governo que criou os famosos discursos recheados de palavras-chave como auto-sustentabilidade e anti-paternalismo, que, em nenhuma parte do mundo, mesmo no imenso universo neoliberal, funciona bem com relação à produção erudita e vanguardista. Em outras palavras, arte-pesquisa não é auto-sustentável e deve ser subsidiada mesmo. E dos músicos que não reivindicam os seus direitos.



Dessa forma, para Liduino Pitombeira, as causas no ano de 2008 para o Ceará não manter os salários da ORCEC em dia não eram financeiros, já que o governo do Ceará tinha disponibilidade real de subsidiar o setor cultural com no mínimo 1,5 milhões/mês, aproximadamente 2% do ICMS repassado aos municípios.    

No ano de 2014, depois de 18 anos de existência, a Orquestra Eleazar de Carvalho encerra as suas atividades por conta dos salários atrasados. A matéria do Diário do Nordeste do dia 29/04/2014 noticia que após seis meses sem receber recursos do Governo do Estado, a orquestra se desintegra, o maestro vai embora do Ceará e alguns músicos vendem os seus instrumentos. Realmente uma notícia muito triste para quem aprecia a vida cultural local.

O cenário da música erudita sofreu uma real decadência no Ceará nesses últimos tempos. É bom lembrar que a diretora do Conservatório de Música Alberto Nepomuceno, Mírian Carlos, já apontou em várias matérias publicadas no Diário do Nordeste, que a instituição vive "por um milagre". Para piorar a situação, o Ceará perdeu a pouco tempo a regência do Maestro Vasken Fermanian, que acabou se aposentando. O SESI aproveitou para também finalizar as atividades de sua Orquestra e o que restou foi apenas um pequeno projeto assistencialista com poucos monitores.






  






Nenhum comentário:

Postar um comentário